Quarta-feira, 22 de Abril de 2015

A papoila sabe

A papoila tem o tom vermelho, rubro da festa em brasa.

E, no verde manso do trigal - se aparece

É o grito que contesta a cor certinha o ondular cadente

ao toque do tempo - compassos do vento!...

É a gargalhada insólita, inesperada

que desfralda a revolta recalcada !

E... a papoila sabe!

Cativante! - Erótica, ao tacto macia...

tem toque de pele - morna como um ventre ...

tem toque de seda - um mole de veludo

- Um nada de cada - um pouco de tudo ...

Por isso, disfarça o olhar pestanudo

de estames fartos que o ópio perturba...

- Sabe-lhe o negrume e esconde-o bem

na cor escaldante que as pétalas tem.

- Bem de longe chama! - sou de sangue e lume!

- Sou de sangue e lume!...

- E, só se colhida - de morte já ferida

em requebro de tango, maldosa, perdida

sensual, pagã - confessa o ciúme

de usar veneno em vez de perfume.

.

Maria José Rijo

LIVRO DAS FLORES

 

 

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publicado por Existe um Olhar às 10:00
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25 comentários:
De chica a 22 de Abril de 2015 às 11:28
Linda papoila e poesia! Ela ´pe forte, vibrante! beijos, lindo dia! chica


De Existe um Olhar a 22 de Abril de 2015 às 22:54
Oi Chica

Que bom ter sua visita e saber que gostou do que aqui coloquei.
Gosto de flores do campo e o vermelho é uma das minhas cores preferidas, mas a primeira é azul/mar.

Beijos Chica





De jabeiteslp a 22 de Abril de 2015 às 13:59

Grande papoila
selvagem
arrebatada poesia de mais um dia...De Vida


Xoxo de aqui dos calhaus
nos desejos de um feliz dia


De Existe um Olhar a 22 de Abril de 2015 às 22:56
Gosto de coisas selvagens, não a regras, horários...apenas viver e contemplar e passear pela poesia com um gosto especial de quem vive com a alegria das coisas simples.

Muito obrigada.
Uma noite tranquila
Beijos João


De Remus a 22 de Abril de 2015 às 15:03
Nunca consegui encontrar um campo assim, cheio de papoilas.
Cá para os meus lados, é raro encontrar uma papoila. E quando por acaso encontro, é sempre à beira da estrada, onde só existe uma ou duas.


Esta fotografia ficou linda!!!!

A luz (final da tarde?) está perfeita e a quentura que ela transmite está sublime.
Parabéns!


De Existe um Olhar a 22 de Abril de 2015 às 22:59
Por aqui vão aparecendo em tufos à beira da estrada, estas foram mesmo tiradas ao final da tarde e fui de propósito para as fotografar. Campos cheiinhos delas como é costume por aqui, ainda não vi, mas hão-de chegar.

Muito obrigada pelas estrelinhas, fiquei vaidosa, sabia?

Beijos Remus


De Maria Ladeira a 22 de Abril de 2015 às 17:21
A papoila é tudo isso...numa poesia primaveril que encanta o nosso olhar...através dessa foto encantadora! Bj


De Existe um Olhar a 22 de Abril de 2015 às 23:02
Encontrei este poema por acaso, depois de muito procurar.
Gosto de papoilas de todas as flores campestres de tudo o que a natureza nos dá sem pedirmos.

Muito obrigada.

Beijos Maria Ladeira


De golimix a 22 de Abril de 2015 às 17:27
Acho que as papoilas são daquelas flores amadas por todos. Frágeis, simples, coloridas e lindas!

Por aqui também as há em laranja.

Bjix


De Existe um Olhar a 22 de Abril de 2015 às 23:04
Concordo contigo, adoro ver os campos coloridos com elas.
Por cá já vi algumas (poucas) laranja.
Um dia, quem sabe eu encontre um tufo delas.

Beijos Golimix


De mafalda-momentos a 22 de Abril de 2015 às 17:28
A bela, frágil e elegante papoila.
Um lindo, forte e sensual poema.
Uma lente pronta a registar o momento.
Um excelente olhar, um óptimo resultado.
Fotografia, escrita - escolhas da fotografa, uma bela cumplicidade para nos fazer apreciar um post delicioso.

A Manu sabe...


De Existe um Olhar a 22 de Abril de 2015 às 23:08
E a simpatia de sempre da minha amiga que me faz ficar sem jeito.
Tento colorir o olhar de quem me visita, não sem antes, andar por aí à procura do que me transporta ao mundo das emoções e que se pode transformar num olhar.
A Manu nem sempre sabe, mas fica imensamente grata com as tuas palavras

Beijos Mafalda


De Elisa Fardilha a 22 de Abril de 2015 às 21:48
A liberdade a acenar na tua magnífica foto.

Uma foto deslumbrante! Parabéns!

Adorei o poema. Não conhecia.

Beijinhos.


De Existe um Olhar a 22 de Abril de 2015 às 23:10
E nem imaginas como gosto desta liberdade, de me passear pelos campos, de sentir as cores e os cheiros.

Também para mim foi uma agradável surpresa descobrir este poema que adoro.

Beijos Elisa


De Ricardo Santos a 22 de Abril de 2015 às 22:37
A papoila é uma flor que lembra vento e liberdade !


De Existe um Olhar a 22 de Abril de 2015 às 23:13
É mesmo isso que sinto quando me passeio pelos campos...liberdade! Liberdade para sentir, para absorver ao máximo o que a natureza me oferece.

Beijos Ricardo


De Vasco a 23 de Abril de 2015 às 04:36
Que belo quadro.
Está lindíssima.
Bjs


De Existe um Olhar a 23 de Abril de 2015 às 14:37
Um quadro vivo que eu transformei numa natureza morta

Muito obrigada:

Beijos Paulo


De Roadrunner a 23 de Abril de 2015 às 14:08
Um cheiro a Primavera em tons de vermelho. Gostei.

Saudações!


De Existe um Olhar a 23 de Abril de 2015 às 14:39
Este cheiro hoje é vermelho, amanhã pode ser outra cor qualquer. A Primavera brinda-nos sempre com cores que encantam o olhar.

Muito obrigada

Saudações primaveris


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