Sexta-feira, 4 de Agosto de 2017

Pelo Tejo vai-se para o mundo

IMG_6374a.jpg

 O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia, 
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia 
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia. 
O Tejo tem grandes navios 
E navega nele ainda, 
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está, 
A memória das naus. 
O Tejo desce de Espanha 
E o Tejo entra no mar em Portugal. 
Toda a gente sabe isso. 
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia 
E para onde ele vai 
E donde ele vem. 
E por isso porque pertence a menos gente, 
É mais livre e maior o rio da minha aldeia. 
Pelo Tejo vai-se para o Mundo. 
Para além do Tejo há a América 
E a fortuna daqueles que a encontram. 
Ninguém nunca pensou no que há para além 
Do rio da minha aldeia. 
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada. 
Quem está ao pé dele está só ao pé dele. 

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XX" 
Heterónimo de Fernando Pessoa 

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

publicado por Existe um Olhar às 00:48
link do post | comentar | ver comentários (23) | favorito (2)
|
Sábado, 11 de Março de 2017

O que diz o meu olhar

IMG_7282.JPG

 

O meu olhar é nítido como um girassol
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando pra direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança, se ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...

Alberto Caeiro

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

publicado por Existe um Olhar às 10:06
link do post | comentar | ver comentários (16) | favorito (3)
|
Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2016

Quando se abre a janela

_MG_5734.JPG

 

 Não basta abrir a janela
para ver os campos e o rio.
Não é o bastante não ser cego
para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.

Alberto Caeiro

 * Para os meus amigos, desejo um feliz 2017, que todas as janelas se abram e consigam concretizar os vossos sonhos. 

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

publicado por Existe um Olhar às 10:23
link do post | comentar | ver comentários (34) | favorito (1)
|
Quinta-feira, 23 de Junho de 2016

É uma leve brisa que passa

Foi uma brisa que passou

 

 

Como quem num dia de Verão abre a porta de casa
E espreita para o calor dos campos com a cara toda,
Às vezes, de repente, bate-me a Natureza de chapa
Na cara dos meus sentidos,
E eu fico confuso, perturbado, querendo perceber
Não sei bem como nem o quê...

Mas quem me mandou a mim querer perceber?
Quem me disse que havia que perceber?

Quando o Verão me passa pela cara
A mão leve e quente da sua brisa,
Só tenho que sentir agrado porque é brisa
Ou que sentir desagrado porque é quente,
E de qualquer maneira que eu o sinta,
Assim, porque assim o sinto, é que é meu dever senti-lo...

 

Alberto Caeiro

 

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

publicado por Existe um Olhar às 16:56
link do post | comentar | ver comentários (27) | favorito (2)
|
Quinta-feira, 16 de Junho de 2016

Não basta abrir a janela

Não basta abrir a janela

Não basta abrir a janela
para ver os campos e o rio.
Não é o bastante não ser cego
para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.

Alberto Caeiro

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

publicado por Existe um Olhar às 01:44
link do post | comentar | ver comentários (25) | favorito (2)
|
Terça-feira, 12 de Abril de 2016

As bolas de sabão

Bolinhas de sabão

As bolas de sabão que esta criança

Se entretém a largar de uma palhinha

São translucidamente uma filosofia toda.

Claras, inúteis e passageiras como a Natureza,

 

Amigas dos olhos como as coisas,

São aquilo que são

Com uma precisão redondinha e aérea,

E ninguém, nem mesmo a criança que as deixa,

Pretende que elas são mais do que parecem ser.

 

Algumas mal se vêem no ar lúcido.

São como a brisa que passa e mal toca nas flores

E que só sabemos que passa

Porque qualquer coisa se aligeira em nós

E aceita tudo mais nitidamente.

Alberto Caeiro

 

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

publicado por Existe um Olhar às 17:19
link do post | comentar | ver comentários (38) | favorito
|
Domingo, 6 de Setembro de 2015

A minha descoberta de todos os dias

IMG_1122

 

 

A espantosa realidade das coisas
É a minha descoberta de todos os dias.
Cada coisa é o que é,
E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra,
E quanto isso me basta.
Alberto Caeiro

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

publicado por Existe um Olhar às 21:31
link do post | comentar | ver comentários (28) | favorito
|
Quinta-feira, 13 de Junho de 2013

Como num dia de Verão

Como quem num dia de Verão abre a porta de casa      
E espreita para o calor dos campos com a cara toda, 
      Às vezes, de repente, bate-me a Natureza de chapa 
     Na cara dos meus sentidos,
      E eu fico confuso, perturbado, querendo perceber 
      Não sei bem como nem o quê...

     Mas quem me mandou a mim querer perceber? 

       Quem me disse que havia que perceber?

     Quando o Verão me passa pela cara  

    A mão leve e quente da sua brisa,

     Só tenho que sentir agrado porque é brisa

     Ou que sentir desagrado porque é quente,

     E de qualquer maneira que eu o sinta,   

   Assim, porque assim o sinto, é que é meu dever senti-lo...

 

Alberto Caeiro

Rio Mondego em Caldas da Felgueira

 

 

 

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

publicado por Existe um Olhar às 23:48
link do post | comentar | ver comentários (22) | favorito
|
Domingo, 2 de Junho de 2013

A olhar daqui para lá

O meu olhar é nitido como um girrassol

Tenho o costume de andar pelas estradas

 Olhando pra direita e para a esquerda,

 E de vez em quando olhando para trás...

 E o que vejo a cada momento

 É aquilo que nunca antes eu tinha visto,

E eu sei dar por isso muito bem...

 Sei ter o pasmo essencial

 Que tem uma criança, se ao nascer,

 Reparasse que nascera deveras...

Sinto-me nascido a cada momento

 Para a eterna novidade do Mundo...

Alberto Caeiro
 
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

publicado por Existe um Olhar às 22:20
link do post | comentar | ver comentários (35) | favorito
|
Quarta-feira, 26 de Setembro de 2012

Não basta abrir uma janela

 

Não basta abrir a janela
para ver os campos e o rio.
Não é o bastante não ser cego
para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há idéias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.

 
Alberto Caeiro
 
Janela da torre de menagem
Vila Velha de Rodão
Setembro de 2012
 
 
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

publicado por Existe um Olhar às 19:30
link do post | comentar | ver comentários (15) | favorito
|
Quarta-feira, 27 de Abril de 2011

Antes que a Primavera se vá

 

 

 

Quando tornar a vir a Primavera
Talvez já não me encontre no mundo.
Gostava agora de poder julgar que a Primavera é gente
Para poder supor que ela choraria,
Vendo que perdera o seu único amigo.
Mas a Primavera nem sequer é uma cousa:
É uma maneira de dizer.
Nem mesmo as flores tornam, ou as folhas verdes.
Há novas flores, novas folhas verdes.
Há outros dias suaves.
Nada torna, nada se repete, porque tudo é real.

 

(Alberto Caeiro)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

publicado por Existe um Olhar às 12:30
link do post | comentar | ver comentários (16) | favorito
|
Sábado, 16 de Abril de 2011

É talvez o último dia

 

 

É talvez o último dia da minha vida.
Saudei o sol, levantando a mão direita,
Mas não o saudei, dizendo-lhe adeus,
Fiz sinal de gostar de o ver antes: mais nada.

(Alberto Caeiro)

Lagoa de Óbidos

Abril de 2011

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

publicado por Existe um Olhar às 00:31
link do post | comentar | ver comentários (14) | favorito
|
Quarta-feira, 2 de Março de 2011

Olho para as flores e sorrio

E olho para as flores e sorrio…
Não sei se elas me compreendem
Nem sei se eu as compreendo a elas,
Mas sei que a verdade está nelas e em mim.

(Alberto Caeiro)

Flores no jardim do meu amigo A. Gomes

Março de 2010

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

publicado por Existe um Olhar às 00:12
link do post | comentar | ver comentários (16) | favorito
|
Domingo, 16 de Janeiro de 2011

A neve

 

 

A Neve

 

A neve pôs uma toalha calada sobre tudo.
Não se sente senão o que se passa dentro de casa.
Embrulho-me num cobertor e não penso sequer em pensar.
Sinto um gozo de animal e vagamente penso,
E adormeço sem menos utilidade que todas as ações do mundo.

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
Heterónimo de Fernando Pessoa

 

Lapónia-Dezembro de 2010

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

publicado por Existe um Olhar às 21:42
link do post | comentar | ver comentários (12) | favorito
|
Domingo, 12 de Dezembro de 2010

Hoje de manhã saí cedo

 

 

Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...

Não sabia que caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.

Assim tem sido sempre a minha vida, e
Assim quero que possa ser sempre --
Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.

                    Alberto Caeiro

 

Praia do Baleal-Peniche

11 de Dezembro de 2010 

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

publicado por Existe um Olhar às 10:03
link do post | comentar | ver comentários (16) | favorito
|
Quinta-feira, 15 de Julho de 2010

Há dias de luz

Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta,
Em que as coisas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Porque sequer atribuo eu
Beleza às coisas.

Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe
Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então porque digo eu das coisas: são belas?

Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as coisas,
Perante as coisas que simplesmente existem.

Que difícil ser próprio e não ser senão o visível!

                                        Alberto Caeiro

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

publicado por Existe um Olhar às 23:51
link do post | comentar | ver comentários (8) | favorito
|
Direitos de Autor Nenhuma parte deste site pode ser reproduzida sem a prévia permissão do autor. Todas as fotografias estão protegidas pelo Decreto-Lei n.º 63/85, de 14 de Março. Uma vez que a maioria das fotografias foram feitas em locais públicos mas sem autorização dos intervenientes, se por qualquer motivo não desejarem que sejam divulgadas neste blog entrem em contacto comigo para que sejam retiradas de imediato. manuelapereira3@sapo.pt

.Quem me segue

.mais sobre mim


. ver perfil

. seguir perfil

. 227 seguidores

.pesquisar

 

.Novembro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
11

13
14
16
18

19
22
24
25

27
28


.posts recentes

. Pelo Tejo vai-se para o m...

. O que diz o meu olhar

. Quando se abre a janela

. É uma leve brisa que pass...

. Não basta abrir a janela

. As bolas de sabão

. A minha descoberta de tod...

. Como num dia de Verão

. A olhar daqui para lá

. Não basta abrir uma janel...

.arquivos

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

.tags

. todas as tags

.favoritos

. O regresso

. A MORTE e as PENAS.

. As cores do tempo

. ...Ah e tal são meras Teo...

. O cheiro da luz

. Um Livro, Uma Imagem

. A verdadeira história de ...

. CARTA À MINHA AMIGA INÊS

.links

.Lista de links

.Quem me visita

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

.links

SAPO Blogs

.subscrever feeds