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Existe um Olhar

Não te preocupes com os que não te conhecem, mas esforça-te por seres digno de ser conhecido. (Confúcio)

Existe um Olhar

Não te preocupes com os que não te conhecem, mas esforça-te por seres digno de ser conhecido. (Confúcio)

Um pedaço do meu céu

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As nuvens são sombrias
Mas, nos lados do sul,
Um bocado do céu
É tristemente azul.
Assim, no pensamento,
Sem haver solução,
Há um bocado que lembra
Que existe o coração.
E esse bocado é que é
A verdade que está
A ser beleza eterna
Para além do que há.
Fernando Pessoa

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É só a brisa que passa

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Sorriso audível das folhas,
Não és mais que a brisa ali.
Se eu te olho e tu me olhas,
Quem primeiro é que sorri?
O primeiro a sorrir ri.

Ri, e olha de repente,
Para fins de não olhar,
Para onde nas folhas sente
O som do vento passar.
Tudo é vento e disfarçar.

Mas o olhar, de estar olhando
Onde não olha, voltou;
E estamos os dois falando
O que se não conversou.
Isto acaba ou começou?

Fernando Pessoa

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Entre o luar e a folhagem

IMG_3481 (2).JPG

Entre o luar e a folhagem, 
Entre o sossego e o arvoredo, 
Entre o ser noite e haver aragem 
Passa um segredo. 
Segue-o minha alma na passagem. 

Tênue lembrança ou saudade, 
Princípio ou fim do que não foi, 
Não tem lugar, não tem verdade. 
Atrai e dói. 

Segue-o meu ser em liberdade. 

Vazio encanto ébrio de si, 
Tristeza ou alegria o traz? 
O que sou dele a quem sorri? 
Nada é nem faz. 
Só de segui-lo me perdi. 

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

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O sorriso das folhas

Em leque

 

Sorriso audível das folhas,
Não és mais que a brisa ali.
Se eu te olho e tu me olhas,
Quem primeiro é que sorri?
O primeiro a sorrir ri.

Ri, e olha de repente,
Para fins de não olhar,
Para onde nas folhas sente
O som do vento passar.
Tudo é vento e disfarçar.

Mas o olhar, de estar olhando
Onde não olha, voltou;
E estamos os dois falando
O que se não conversou.
Isto acaba ou começou

Fernando Pessoa

 

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Chove. Há silêncio!

IMG_5659.JPG

Chove. Há silêncio, porque a mesma chuva
Não faz ruído senão com sossego.
Chove. O céu dorme. Quando a alma é viúva
Do que não sabe, o sentimento é cego.
Chove. Meu ser (quem sou) renego...

Tão calma é a chuva que se solta no ar
(Nem parece de nuvens) que parece
Que não é chuva, mas um sussurrar
Que de si mesmo, ao sussurrar, se esquece.
Chove. Nada apetece...

Não paira vento, não há céu que eu sinta.
Chove longínqua e indistintamente,
Como uma coisa certa que nos minta,
Como um grande desejo que nos mente.
Chove. Nada em mim sente...

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

 

Foto tirada numa noite de chuva em que só um poste de luz iluminava as gotas de água

 

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Flor que não dura

 Flor que não dura

Mais do que a sombra dum momento 

Tua frescura
Persiste no meu pensamento.

Não te perdi
No que sou eu,
Só nunca mais, ó flor, te vi
Onde não sou senão a terra e o céu.

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

 

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A sombra das nuvens


As nuvens são sombrias
Mas, nos lados do sul,
Um bocado do céu
É tristemente azul.
Assim, no pensamento,
Sem haver solução,
Há um bocado que lembra
Que existe o coração.
E esse bocado é que é
A verdade que está
A ser beleza eterna
Para além do que há.

Fernando Pessoa
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Caiu aqui

Sorriso audível das folhas,
Não és mais que a brisa ali.
Se eu te olho e tu me olhas,
Quem primeiro é que sorri?
O primeiro a sorrir ri.

Ri, e olha de repente,
Para fins de não olhar,
Para onde nas folhas sente
O som do vento passar.
Tudo é vento e disfarçar.

Mas o olhar, de estar olhando
Onde não olha, voltou;
E estamos os dois falando
O que se não conversou.
Isto acaba ou começou

Fernando Pessoa
 
 
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Dorme onde o rio corre

Entre o sono e sonho,
 Entre mim e o que em mim
 É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim.
Passou por outras margens,
 Diversas mais além,
 Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.
Chegou onde hoje habito
 A casa que hoje sou.
 Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.
E quem me sinto e morre
 No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre
 Esse rio sem fim.
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

 

Rio Mondego

Maio de 2013 

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Nas alturas




"Não sou da altura que me vêem, mas sim da altura que meus olhos podem ver."

 Fernando Pessoa

 


 Serra da Estrela

Março de 2013

 

 
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