Domingo, 6 de Maio de 2012
Pode o céu ser tão longe?
 
 
 

Vesti a luz do teu nome
E chamei-te pela noite,
Entraste no meu sono
Como o luar entra na fonte.
Trazes estórias e proezas
Dizes que tens tanto pr'a me dar,
Deixas sombras, incertezas,
E partes sem nunca me levar.

E de repente
Um mar sozinho,
Ninguém na margem
Ninguém no caminho,
Tão frio.
E o teu beijo
Mata-me a distância,
Ninguém tão perto
Pode o que o beijo alcança,
E o meu corpo chora
Quando o teu vai embora,
Porque o teu mundo

É tão longe,
Tão longe,
Pode o céu ser tão longe.
Tão longe,
Tão longe,
Se a tua voz vive em mim.Há um deserto que fica,
Sou um capitão sem barco,
E quando vens pela bruma
Acendem-se estrelas no quarto.
E dizes:
"Trago a luz das sereias,
Trago o canto da tempestade".
E como o vento na areia
Deitas-te em mim feita metade.

E de repente
Um mar sozinho,
Ninguém na margem
Ninguém no caminho,
Tão frio.
E o teu beijo
Mata-me a distância
Ninguém tão perto
Pode o que o beijo alcança,
E o meu corpo chora
Quando o teu vai embora,
Porque o teu mundo


É tão longe,
Tão longe
Pode o céu ser tão longe.
Tão longe,
Tão longe
Se a tua voz vive em mim.

 

Foz do Arelho-5 de Maio de 2012

 



publicado por Cantinho da Manu às 20:16
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Terça-feira, 13 de Março de 2012
Tranquilidade

 

Se a tranquilidade da água permite refletir as coisas, o que não poderá a tranquilidade do espírito?

Chuang Tzu
 
 
Praia da Enseada
Ubatuba- Brasil
Março de 2012
 
 
 


publicado por Cantinho da Manu às 14:00
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Sábado, 8 de Janeiro de 2011
Contemplo o lago mudo

 

 

 

Contemplo o lago mudo
que a brisa estremece
Não sei se penso em tudo
ou se o tudo me esquece

O lago nada me diz,
não sinto a brisa mexe-lo
Não sei se sou feliz
nem se desejo sê-lo

Trémulos rincos risonhos
na água adormecida
porque fiz eu dos sonhos
a minha única vida?

Fernando Pessoa

 

Lagoa de Óbidos

8 de Janeiro de 2011



publicado por Cantinho da Manu às 18:50
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Sexta-feira, 10 de Dezembro de 2010
O sonho de um momento

Tirar dentro do peito a Emoção,
A lúcida verdade, o Sentimento!
-- E ser, depois de vir do coração,
Um punhado de cinza esparso ao vento!...

Sonhar um verso de alto pensamento,
E puro como um ritmo de oração!
-- E ser, depois de vir do coração,
O pó, o nada, o sonho dum momento...

São assim ocos, rudes, os meus versos:
Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu iludo os outros, com que minto!

Quem me dera encontrar o verso puro,
O verso altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse, a chorar, isto que sinto!!

                            Florbela Espanca

 

Foz do Arelho- Caldas da Rainha

9 de Dezembro de 2010



publicado por Cantinho da Manu às 22:37
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Quinta-feira, 2 de Dezembro de 2010
A Oeste o Sol brilhou

"Sejamos como o sol que não visa nenhuma recompensa, nenhum elogio, não espera lucros nem fama, simplesmente brilha!"
( Autor Desconhecido )



publicado por Cantinho da Manu às 22:12
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Segunda-feira, 27 de Setembro de 2010
O místico entardecer
O meu olhar azul como o cé
     É calmo como a água ao sol. 
     É assim, azul e calmo,
     Porque não interroga nem se espanta ... 

     Se eu interrogasse e me espantasse
     Não nasciam flores novas nos prados
     Nem mudaria qualquer cousa no sol de modo a ele ficar mais belo... 
     (Mesmo se nascessem flores novas no prado
     E se o sol mudasse para mais belo, 
     Eu sentiria menos flores no prado 
     E achava mais feio o sol ...
     Porque tudo é como é e assim é que é, 
     E eu aceito, e nem agradeço,
     Para não parecer que penso nisso...)

 

(Alberto Caeiro)

 


publicado por Cantinho da Manu às 08:22
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