Quero-te regar, minha flor. Quero cuidar de ti. Deixa-me entrar no jardim, Deixa-me voltar a dormir.
Quero-te regar, minha flor, Dar-te de novo a paz que perdi. Quero desvendar a parte triste que há em ti. Deixa-me existir no espaço novo que acordaste em mim.
E não vês que é de nós o jardim que se fez Não vês que é para nós o jardim que nos faz em olhar Que este frio faz tremer quem fica E faz voltar o que tens e que é meu
Não vês que é de nós o jardim que se fez Não vês que é para nós o jardim que nos faz em olhar Que este frio faz tremer quem fica E faz voltar o que tens e que é meu
Parado e atento à raiva do silêncio de um relógio partido e gasto pelo tempo estava um velho sentado no banco de um jardim a recordar fragmentos do passado
na telefonia tocava uma velha canção e um jovem cantor falava da solidão que sabes tu do canto de estar só assim só e abandonado como o velho do jardim?
o olhar triste e cansado procurando alguém e a gente passa ao seu lado a olhá-lo com desdém sabes eu acho que todos fogem de ti pra não ver a imagem da solidão que irão viver quando forem como tu um velho sentado num jardim
passam os dias e sentes que és um perdedor já não consegues saber o que tem ou não valor o teu caminho parece estar mesmo a chegar ao fim pra dares lugar a outro no teu banco do jardim
o olhar triste e cansado procurando alguém e a gente passa ao seu lado a olhá-lo com desdém sabes eu acho que todos fogem de ti pra não ver a imagem da solidão que irão viver quando forem como tu um resto de tudo o que existiu quando forem como tu um velho sentado num jardim
Por diversas vezes passei naquela estrada e olhava com alguma cobiça fotográfica para aquelas rosas à beira da estrada, vedadas com uma rede verde em que as rosas sobressaiam acima dela.
Um dia destes. não resisti e resolvi parar. Olhei em redor para ver se via alguém a quem pudesse pedir autorização para fotografar, embora para isso não fosse necessário entrar dentro da propriedade.
Estava eu completamente absorvida , quando de repente ouvi uma voz de mulher austera de olhar severo, que me perguntou o que andava a fazer. Expliquei com muita calma, até elogiei o bonito jardim, mas ela não estava disposta a ouvir-me.
Depois de um grande sermão e argumentos parvos...ouvi...ouvi, pedi desculpa, não sem antes lhe dizer:
-As suas rosas são lindíssimas, mas o seu coração tem mais espinhos que elas.
Não te aflijas com a pétala que voa: também é ser, deixar de ser assim. Rosas verá, só de cinzas franzidas, mortas, intactas pelo teu jardim. Eu deixo aroma até nos meus espinhos ao longe, o vento vai falando de mim. E por perder-me é que vão me lembrando, por desfolhar-me é que não tenho fim. (Cecília Meireles)
Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seus semelhantes". Albert Schweitzer - Prêmio Nobel da Paz em 1952
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