Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012
Outros olhares na noite
O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender ...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...
(Alberto Caeiro)
Quarta-feira, 2 de Novembro de 2011
Em meus momentos escuros
Em meus momentos escuros
Em que em mim não há ninguém,
E tudo é névoas e muros
Quanto a vida dá ou tem,
Se, um instante, erguendo a fronte
De onde em mim sou aterrado,
Vejo o longínquo horizonte
Cheio de sol posto ou nado
Revivo, existo, conheço,
E, ainda que seja ilusão
O exterior em que me esqueço,
Nada mais quero nem peço.
Entrego-lhe o coração.
(Fernando Pessoa)
Óbidos-Novembro de 2011
Quinta-feira, 20 de Outubro de 2011
Para os amigos
Para os Amigos
De entre todos, apenas vós
tendes direito a ver-me
fracassar. Onde caio
entre a vossa irónica
doçura implacável, convosco
partilho o pão e o espaço
e a rapidez dos olhos
sobre o que fica (sempre)
para dar ou dizer.
E de vós me levanto
e vos levo pesando
e ardendo até onde
me ajudais a ser
melhor ou talvez
menos só.
Vítor Matos e Sá, in 'Companhia Violenta'
Terça-feira, 6 de Setembro de 2011
Quando cai a noite na cidade...
´
(Anabela-música)
Caldas da Rainha
5 de Setembro de 2011
Quinta-feira, 16 de Junho de 2011
Só a Lua sabe quem eu sou

Mais um dia que acaba
e a cidade parece dormir,
da janela vejo a luz que bate no chao
e penso em te possuir.
Noite após noite, ha ja muito tempo,
saio sem saber para onde vou,
chamo por ti, na sombra das ruas,
mas só a lua sabe quem eu sou.
Lua, lua,
eu quero ver o teu brilhar,
lua, lua, lua,
Eu quero ver o teu sorrir.
Leva-me contigo,
mostra-me onde estas,
é que o pior castigo
é viver assim, sem luz nem paz,
sozinho com o peso do caminho
que se fez para tras...
Lua, eu quero ver o teu brilhar,
no luar, no luar.
Homens de chapéu e cigarros compridos
vagueiam pelas ruas com olhares cheios de nada,
mulheres meio despidas encostadas à parede
fazem-me sinais que finjo nao entender.
Loucas sao as noites, que passo sem dormir,
loucas sao as noites.
Os bares estao fechados ja nao ha onde beber,
este silencio escuro nao me deixa adormecer.
Loucas sao as noites.
Nao ha saudade sem regresso, nao ha noites sem
madrugada,
Ouco ao longe as guitarras, nas quais vou partir,
na névoa construo a minha estrada.
Loucas sao as noites, que passo sem dormir,
loucas sao as noites.
Loucas sao as noites, que passo sem dormir,
loucas sao as noites...
(Pedro Abrunhosa)
Terça-feira, 3 de Maio de 2011
Quando cai a noite
Cai a noite na cidade
Vinda de lugar nenhum
E o dia vai embora
Indo pra lugar algum
Não sentia fome
Não sentia frio
Sentado num canto
De um quarto vazio
Quando a chuva cai
Nas noites mais solitárias
Lembre-se que sempre...
Sombras e pensamentos
De um sonho só esperança
Nas paredes ecoavam
O silêncio e a lembrança
Quinta-feira, 24 de Fevereiro de 2011
Vou pelo braço da noite...
Ninguém abra a sua porta
para ver que aconteceu:
saímos de braço dado,
a noite escura mais eu.
Ela não sabe o meu rumo,
eu não lhe pergunto o seu:
não posso perder mais nada,
se o que houve já se perdeu.
Vou pelo braço da noite,
levando tudo que é meu:
— a dor que os homens me deram,
e a canção que Deus me deu.
Cecília Meireles, in 'Viagem'
Lagoa de Óbidos
Fevereiro de 2011
Sexta-feira, 7 de Janeiro de 2011
Pergunta à noite
Pergunta à noite
Pelos segredos,
Pelos teus medos
(Onde estarão?)
Pela fragrância
Das boas horas...
Pelos amores
Que nascerão.
Pergunta à noite
Por ti, por mim,
Se já viu fim
Numa emoção.
Pergunta a ela
Pela poesia
De todo dia
Sermos paixão!
Ela dirá,
Tenho certeza,
Numa tristeza
De escuridão,
Que neste mundo
Nada é eterno
Se após o inverno
Volta o verão.
(Genildo Mota Antunes)
Direitos de Autor
Nenhuma parte deste site pode ser reproduzida sem a prévia permissão do autor. Todas as fotografias estão protegidas pelo Decreto-Lei n.º 63/85, de 14 de Março.
Uma vez que a maioria das fotografias foram feitas em locais públicos mas sem autorização dos intervenientes, se por qualquer motivo não desejarem que sejam divulgadas neste blog entrem em contacto comigo para que sejam retiradas de imediato.
manuelapereira3@sapo.pt