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Existe um Olhar

Não te preocupes com os que não te conhecem, mas esforça-te por seres digno de ser conhecido. (Confúcio)

Existe um Olhar

Não te preocupes com os que não te conhecem, mas esforça-te por seres digno de ser conhecido. (Confúcio)

Pelo Tejo vai-se para o mundo

04.08.17, Existe um Olhar
 O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,  Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia  Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.  O Tejo tem grandes navios  E navega nele ainda,  Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,  A memória das naus.  O Tejo desce de Espanha  E o Tejo entra no mar em Portugal.  Toda a gente sabe isso.  Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia  E para onde ele vai  E donde ele vem.  E por isso porque pertence a menos gente, 

O que diz o meu olhar

11.03.17, Existe um Olhar
  O meu olhar é nítido como um girassol Tenho o costume de andar pelas estradas Olhando pra direita e para a esquerda, E de vez em quando olhando para trás... E o que vejo a cada momento É aquilo que nunca antes eu tinha visto, E eu sei dar por isso muito bem... Sei ter o pasmo essencial Que tem uma criança, se ao nascer, Reparasse que nascera deveras... Sinto-me nascido a cada momento Para a eterna novidade do Mundo... Alberto Caeiro

Quando se abre a janela

29.12.16, Existe um Olhar
   Não basta abrir a janela para ver os campos e o rio. Não é o bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma. Com filosofia não há árvores: há idéias apenas. Há só cada um de nós, como uma cave. Há só uma janela fechada, e o mundo lá fora; E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse, Que nunca é o que se vê quando se abre a janela. Alberto Caeiro  * Para os meus amigos, desejo um feliz 2017, que todas (...)

É uma leve brisa que passa

23.06.16, Existe um Olhar
    Como quem num dia de Verão abre a porta de casa E espreita para o calor dos campos com a cara toda, Às vezes, de repente, bate-me a Natureza de chapa Na cara dos meus sentidos, E eu fico confuso, perturbado, querendo perceber Não sei bem como nem o quê... Mas quem me mandou a mim querer perceber? Quem me disse que havia que perceber? Quando o Verão me (...)

Não basta abrir a janela

16.06.16, Existe um Olhar
Não basta abrir a janela para ver os campos e o rio. Não é o bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma. Com filosofia não há árvores: há idéias apenas. Há só cada um de nós, como uma cave. Há só uma janela fechada, e o mundo lá fora; E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,

As bolas de sabão

12.04.16, Existe um Olhar
As bolas de sabão que esta criança Se entretém a largar de uma palhinha São translucidamente uma filosofia toda. Claras, inúteis e passageiras como a Natureza,   Amigas dos olhos como as coisas, São aquilo que são Com uma precisão redondinha e aérea, E ninguém, nem mesmo a criança que as deixa, Pretende que elas são mais do que parecem ser.   Algumas mal se (...)

Como num dia de Verão

13.06.13, Existe um Olhar
Como quem num dia de Verão abre a porta de casa       E espreita para o calor dos campos com a cara toda,       Às vezes, de repente, bate-me a Natureza de chapa      Na cara dos meus sentidos,      E eu fico confuso, perturbado, querendo perceber       Não sei bem como nem o quê...     Mas quem me mandou a mim querer perceber?         Quem me disse que havia que perceber?      Quando o Verão me passa pela cara       A mão leve e quente (...)

A olhar daqui para lá

02.06.13, Existe um Olhar
O meu olhar é nitido como um girrassol Tenho o costume de andar pelas estradas  Olhando pra direita e para a esquerda,  E de vez em quando olhando para trás...  E o que vejo a cada momento  É aquilo que nunca antes eu tinha visto, E eu sei dar por isso muito bem...  Sei ter o pasmo essencial  Que tem uma criança, se ao nascer,  Reparasse que nascera deveras... Sinto-me nascido a cada momento  Para a eterna novidade do Mundo... Alberto Caeiro 
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